Minhas obsessões
Nelson Rodrigues dizia que o homem é o conjunto de suas obsessões. E como gosto de parar e pensar em frases que por algum motivo me chamam a atenção parei e pensei nas coisas pelas quais sou obcecado. Este foi - devo reconhecer - um exercício interessantíssimo, porque de fato este é um caminho para se entender minimamente a pessoa na qual nos tornamos.
Muito bem. Agora chegou a hora, pois, de revelar o tipo de ser humano – ou melhor dizendo, de obcecado - que me tornei nestes vinte e tantos anos de vida. Sou obcecado por...frases. Mas não por qualquer frase, como já disse acima; a frase tem que cutucar, tem que remexer, tem que fuçar em algo dentro da minha existência. A frase, na verdade, é um mero comboio de palavras que, juntas, nos trazem um carregamento de idéias, de possíveis verdades, de elucidações a respeito do que ocorre em nossas vidas.
Sinto-me fisicamente bem quando leio ou escuto uma dessas tais frases. Mas não encarem essa obsessão como uma vã erudição. Não é nada disso. As utilizo de forma clínica, tópica, até mesmo de forma preventiva, depois de examinar as atitudes que tive. Exemplificarei.
Quando relembro momentos em que, discutindo algo, falei alguma grande besteira, uma daquelas barbaridades de pesar a consciência, penso em um ditado chinês que diz: “Temos dois ouvidos e uma boca, devemos usá-los nessa proporção.”.
Vejam vocês o peso da verdade carregada nesta frase. Nós falamos demais a respeito de coisas que conhecemos de menos. O Mundo, a existência, a humanidade são tão mais vastos que nós e nós, sentados no trono de nossas existências falamos pelos cotovelos a respeito de tudo e de todos. Na vida, realmente temos que aprender a mais aprender do que ensinar.
Aí vai outro exemplo: sabem naqueles dias em que tudo parece sem graça, sem sal, sem sabor; aqueles em que o mundo parece acinzentado, chocho; aqueles em que andamos sem rumo, sem norte; aqueles em que temos vontade de dar uma banana pra tudo e pra todos, voltar pra cama, se enfiar em baixo da coberta, torcendo para que aquela sensação passe logo? Pois bem, quando essa sensação me invade, saco logo da minha farmácia de frases e recito em voz alta meu querido Nelson Rodrigues: “Nada no mundo é intranscendente.”.
Ora, o que eu entendo com essa frase é o seguinte: “Meu filho, levanta-te e anda! Vai olhar pro mundo, pros teus semelhantes, pros teus próximos, pros cães vadios na rua, pros ônibus passando, pras missas sendo rezadas, pros cultos sendo feitos, pros velórios, pros hospitais, pros casais nas ruas, pros solteiros de cabeça baixa, pros casamentos sendo realizados, pros jardins públicos ainda bem cuidados, pras casas e prédios escondendo segredos...! Vai! Vai que de chocho, seu bocó, o mundo não tem nada!”.
E há ainda, para terminar, uma das frases que eu mais gosto. Ela está na Bíblia, no livro Romanos 3:10 e me ajuda a nos entender, a entender nossa conturbada História e a enxergar a necessidade dos que são santos : “Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer.”.
Muito bem. Agora chegou a hora, pois, de revelar o tipo de ser humano – ou melhor dizendo, de obcecado - que me tornei nestes vinte e tantos anos de vida. Sou obcecado por...frases. Mas não por qualquer frase, como já disse acima; a frase tem que cutucar, tem que remexer, tem que fuçar em algo dentro da minha existência. A frase, na verdade, é um mero comboio de palavras que, juntas, nos trazem um carregamento de idéias, de possíveis verdades, de elucidações a respeito do que ocorre em nossas vidas.
Sinto-me fisicamente bem quando leio ou escuto uma dessas tais frases. Mas não encarem essa obsessão como uma vã erudição. Não é nada disso. As utilizo de forma clínica, tópica, até mesmo de forma preventiva, depois de examinar as atitudes que tive. Exemplificarei.
Quando relembro momentos em que, discutindo algo, falei alguma grande besteira, uma daquelas barbaridades de pesar a consciência, penso em um ditado chinês que diz: “Temos dois ouvidos e uma boca, devemos usá-los nessa proporção.”.
Vejam vocês o peso da verdade carregada nesta frase. Nós falamos demais a respeito de coisas que conhecemos de menos. O Mundo, a existência, a humanidade são tão mais vastos que nós e nós, sentados no trono de nossas existências falamos pelos cotovelos a respeito de tudo e de todos. Na vida, realmente temos que aprender a mais aprender do que ensinar.
Aí vai outro exemplo: sabem naqueles dias em que tudo parece sem graça, sem sal, sem sabor; aqueles em que o mundo parece acinzentado, chocho; aqueles em que andamos sem rumo, sem norte; aqueles em que temos vontade de dar uma banana pra tudo e pra todos, voltar pra cama, se enfiar em baixo da coberta, torcendo para que aquela sensação passe logo? Pois bem, quando essa sensação me invade, saco logo da minha farmácia de frases e recito em voz alta meu querido Nelson Rodrigues: “Nada no mundo é intranscendente.”.
Ora, o que eu entendo com essa frase é o seguinte: “Meu filho, levanta-te e anda! Vai olhar pro mundo, pros teus semelhantes, pros teus próximos, pros cães vadios na rua, pros ônibus passando, pras missas sendo rezadas, pros cultos sendo feitos, pros velórios, pros hospitais, pros casais nas ruas, pros solteiros de cabeça baixa, pros casamentos sendo realizados, pros jardins públicos ainda bem cuidados, pras casas e prédios escondendo segredos...! Vai! Vai que de chocho, seu bocó, o mundo não tem nada!”.
E há ainda, para terminar, uma das frases que eu mais gosto. Ela está na Bíblia, no livro Romanos 3:10 e me ajuda a nos entender, a entender nossa conturbada História e a enxergar a necessidade dos que são santos : “Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer.”.


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